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Juros abusivos

Guia informativo

Tarifas bancárias em financiamento: quais são legais e quais são abusivas?

Análise detalhada das tarifas bancárias em contratos de financiamento, distinguindo as previstas na Resolução CMN 4.840/2020 das que são consideradas abusivas pela jurisprudência do STJ.

Revisado por Dr. Valdecir Rabelo Filho — OAB/ES 26.575· Publicado em 06 de jul. de 2026
Contrato financeiro com várias tarifas destacadas em vermelho

Em uma frase

Análise detalhada das tarifas bancárias em contratos de financiamento, distinguindo as previstas na Resolução CMN 4.840/2020 das que são consideradas abusivas pela jurisprudência do STJ.

Você assinou o financiamento e, na hora de somar tudo, descobriu que o valor final é bem maior que o preço do bem. Além dos juros, aparecem tarifas como “cadastro”, “avaliação do bem”, “registro de contrato”, “abertura de crédito” e “serviços de terceiros”. Algumas delas são legais, outras não.

A resposta curta: apenas cinco tarifas são permitidas em operações de crédito pela Resolução CMN 4.840/2020 — Tarifa de Cadastro, Tarifa de Avaliação do Bem, Tarifa de Registro de Contrato, Tarifa de Renegociação e Tarifa de Liquidação Antecipada. Qualquer outra cobrança precisa ser analisada caso a caso, e muitas já foram consideradas ilegais pelo STJ.

Antes de 2008, as instituições financeiras cobravam dezenas de tarifas diferentes em operações de crédito. O Banco Central publicou a Resolução CMN 3.518/2007 (substituída depois pela Resolução CMN 4.840/2020) para padronizar e limitar essas cobranças — leia a Resolução 4.840/2020.

A resolução atual lista as tarifas autorizadas. Qualquer tarifa que não esteja nessa lista é, em princípio, ilegal e pode ser questionada judicialmente.

Tarifas permitidas por lei

Tarifa de Cadastro (TC)

Cobrada uma única vez para realizar a pesquisa cadastral do cliente. O valor máximo é regulado pelo próprio banco, mas deve ser razoável e compatível com o custo do serviço. O STJ entende que a cobrança é legítima desde que comprovada a efetiva prestação do serviço e limitada a uma única ocasião.

Importante: se o banco cobra Tarifa de Cadastro em contratos sucessivos com o mesmo cliente (financiou um carro, pagou a TC, e depois financiou outro), a segunda cobrança é questionável — o cadastro já existe.

Tarifa de Avaliação do Bem (TAB)

Cobrada para avaliar o veículo, imóvel ou outro bem dado em garantia. Também de cobrança única. A avaliação precisa ser efetivamente realizada — se o banco não vistoriou o bem, não pode cobrar.

Tarifa de Registro de Contrato (TRC)

Cobre o custo do registro do contrato no cartório (para financiamentos com garantia real). O valor da tarifa não pode exceder o valor efetivamente cobrado pelo cartório. Bancos que cobram um valor fixo acima da taxa cartorial podem estar lucrando com essa tarifa, o que é ilegal.

Tarifa de Renegociação

Cobrada quando você renegocia as condições do contrato original. Deve ser única e proporcional ao trabalho realizado.

Tarifa de Liquidação Antecipada

Cobrada quando você quita o financiamento antes do prazo. O valor é limitado a 1% do saldo devedor para contratos com taxa pré-fixada, conforme previsto no artigo 12 da Resolução.

Tarifas consideradas abusivas pelo STJ

Tarifa de Abertura de Crédito (TAC)

Esta foi uma das mais cobradas por anos, mas o STJ declarou sua ilegalidade de forma consistente. No REsp 1.639.259/SP, a Corte firmou o entendimento de que a TAC é abusiva em contratos de financiamento, pois a abertura de crédito faz parte da própria atividade bancária e não pode ser cobrada à parte — consulte a jurisprudência.

Se você pagou TAC no financiamento, pode pedir a devolução.

Tarifa de Serviços de Terceiros

Cobrada sob o pretexto de remunerar serviços externos (advocacia, consultoria, despachante), essa tarifa é ilegal quando o serviço não foi efetivamente prestado ou quando beneficia exclusivamente o banco. O artigo 51, inciso IV, do CDC considera nulas cláusulas que imponham ao consumidor custos que não lhe trazem benefício — leia o CDC.

Tarifa de Homologação de Garantia

Alguns contratos incluem tarifa para “homologar” ou “registrar” a garantia junto a órgãos públicos. Essa cobrança é duplicidade com a Tarifa de Registro de Contrato e já foi rechaçada pela Justiça.

Tarifa de Custo Operacional

Cobrada como se fosse uma taxa administrativa geral. O STJ entende que custos operacionais fazem parte do spread bancário e não podem ser repassados ao consumidor como tarifa específica.

Como identificar tarifas abusivas no seu contrato

Pegue o contrato e localize a seção de Encargos Financeiros ou CET. Anote todas as tarifas listadas. Depois, confira:

  1. Cada tarifa está nomeada de forma clara, com o valor e a justificativa?
  2. A tarifa está na lista permitida pela Resolução CMN 4.840/2020?
  3. A cobrança é única ou recorrente? Tarifas de cadastro e avaliação só podem ser cobradas uma vez.
  4. O valor parece razoável? Uma Tarifa de Cadastro de R$ 800 para um financiamento de R$ 30 mil pode ser desproporcional.
  5. Você contratou o serviço ou ele foi imposto? A Resolução 4.840/2020 exige que cada tarifa seja expressamente aceita.

Se uma ou mais tarifas não passarem nessa verificação, você pode pedir a devolução.

O direito à devolução em dobro

Quando tarifas ilegais são cobradas, o artigo 42, parágrafo único, do CDC determina a restituição em dobro do valor pago, acrescido de correção monetária e juros legais.

O STJ, no REsp 1.639.259/SP, confirmou que essa regra se aplica a cobranças indevidas em contratos bancários. Ou seja: se você pagou R$ 1.000 em tarifas abusivas, pode receber R$ 2.000 de volta, mais correção.

Prazo para pedir a devolução

O prazo prescricional é de 3 anos para a repetição do indébito, conforme o artigo 206, §3º, inciso IV, do Código Civil. Esse prazo conta a partir do pagamento de cada tarifa.

Para contratos ainda em execução, você pode pedir a exclusão das tarifas das parcelas futuras e a devolução em dobro das já pagas.

Baixe o checklist completo de tarifas bancárias e confira seu contrato agora.

Analisar as tarifas do seu financiamento é um dos passos mais diretos para reduzir o custo total da dívida — muitas vezes, a economia com tarifas abusivas supera até mesmo a redução dos juros.

Próximo passo seguro

Cada caso depende de documentos, prazo e fase da cobrança. Não confie sua situação em templates genéricos.

Perguntas frequentes

Este conteúdo substitui consulta jurídica?

Não. Ele organiza informação geral; cada caso depende de documentos, valores e fase da cobrança.

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