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Busca e apreensão

Guia informativo

Oficial de justiça veio buscar meu carro. O que eu faço agora?

Guia urgente para quem está com o oficial de justiça na porta para busca e apreensão do veículo: direitos, procedimento, documentos e próximos passos.

Revisado por Dr. Valdecir Rabelo Filho — OAB/ES 26.575· Publicado em 06 de jul. de 2026
Porta de casa com documento de intimação judicial

Em uma frase

Guia urgente para quem está com o oficial de justiça na porta para busca e apreensão do veículo: direitos, procedimento, documentos e próximos passos.

A campainha toca. Você abre a porta e um oficial de justiça apresenta um mandado de busca e apreensão do seu veículo. O coração dispara, a mente parece travar. O que fazer nos próximos segundos?

Não dificulte a ação do oficial, mas também não entregue nada sem entender. A lei manda cumprir o mandado, mas você tem direitos que podem proteger seu patrimônio mesmo na hora da apreensão.

O que o oficial de justiça pode e não pode fazer

O oficial de justiça está ali para cumprir uma ordem judicial. Ele tem o direito de levar o veículo, mas existem limites claros:

Pode: revistar o veículo, solicitar a documentação, entrar no seu quintal ou garagem (se for área comum da residência), usar de força moderada se houver resistência.

Não pode: usar violência desnecessária, invadir sua casa à noite (entre 18h e 6h) sem autorização judicial específica, te agredir, ou levar pertences pessoais que estão dentro do carro e não fazem parte do bem apreendido.

O art. 212 do Código de Processo Civil diz que as diligências devem ser feitas durante o dia, salvo exceções autorizadas pelo juiz. Se o oficial aparecer de madrugada sem autorização expressa, isso pode ser questionado depois.

Passo a passo: o que fazer durante a apreensão

1. Leia o mandado antes de qualquer coisa

Peça para ver o mandado judicial. Ele precisa conter:

  • Seu nome completo como parte no processo
  • A descrição do veículo (marca, modelo, placa, Renavam)
  • A assinatura do juiz que autorizou
  • O número do processo

Se o mandado estiver com o nome errado, o veículo descrito não for o seu, ou faltar a assinatura do juiz, você pode questionar. Mas faça isso com respeito e sem confronto.

2. Retire seus pertences pessoais do veículo

Você tem direito de retirar objetos pessoais que estão dentro do carro. Bolsa, documentos, ferramentas de trabalho, cadeirinha de bebê, aparelho de som (se for equipamento original seu e não do veículo). O oficial não pode impedir.

O art. 846 do CPC determina que a penhora e apreensão recaem sobre o bem, não sobre pertences pessoais de terceiros ou do devedor que não sejam parte do bem.

3. Anote os dados do oficial e do processo

Peça o nome completo e a matrícula do oficial de justiça. Anote o número do processo, a vara onde tramita e o juízo responsável. Tire foto do mandado (se possível) e do auto de apreensão que ele vai te entregar.

4. Não assine nada sob pressão

O oficial vai pedir sua assinatura no auto de apreensão. Leia o documento antes de assinar. Se tiver algo que você não concorda (exemplo: “o devedor resistiu à apreensão”), escreva sua versão no próprio documento ou assine “sob protesto”. Sua assinatura não significa concordância — significa apenas que você recebeu a via.

5. Não ofereça resistência física

Resistir fisicamente à ordem judicial pode trazer consequências graves: prisão em flagrante por desobediência, além de complicar sua situação no processo. Se você tem motivos para questionar a legalidade da apreensão, isso se faz depois, com seu advogado, não na hora.

Imediatamente depois da apreensão

O carro foi levado. O pior passou. Agora é hora de agir.

Passo 1: Leia o auto de apreensão com calma

O documento que o oficial deixou contém informações essenciais: qual veículo foi apreendido, onde está guardado (o pátio conveniado), e os prazos para você tomar providências.

Passo 2: Calcule o prazo para purgação da mora

Mesmo após a apreensão, você ainda pode pagar as parcelas atrasadas e recuperar o veículo. O art. 3º do Decreto-Lei 911/69 garante esse direito. Você precisa quitar:

  • Todas as parcelas vencidas
  • Multa contratual (geralmente 2%)
  • Juros de mora
  • Custas processuais e honorários do oficial

O prazo para purgação após a apreensão é de 5 dias da execução da liminar, segundo entendimento consolidado nos tribunais.

Passo 3: Reúna a documentação imediatamente

Você vai precisar de:

  • Cópia do auto de apreensão
  • Contrato de financiamento
  • Comprovantes de pagamento das parcelas em dia
  • Notificações anteriores recebidas (ou a ausência delas)
  • Documentos pessoais

Passo 4: Busque orientação jurídica

Contrate um advogado com experiência em direito bancário. Ele vai analisar:

  • Se a notificação que precedeu a ação foi válida
  • Se os valores cobrados estão corretos
  • Se há juros abusivos no contrato
  • Se o banco cumpriu todos os requisitos legais

A Súmula 72 do STJ exige comprovação da mora. Se o banco não provou que você foi notificado, a busca e apreensão pode ser anulada.

E se o veículo for seu instrumento de trabalho?

Se você depende do carro para trabalhar — motorista de aplicativo, entregador, vendedor externo, representante comercial —, essa informação é relevante para sua defesa. Embora a lei não impeça a apreensão de veículo de trabalho em alienação fiduciária, o juiz pode considerar o impacto desproporcional e determinar prazos mais favoráveis para purgação ou negociação.

Mencione isso ao seu advogado. Em alguns casos, é possível argumentar a onerosidade excessiva com base no Código de Defesa do Consumidor (art. 51, IV) e na função social da propriedade (art. 5º, XXII e XXIII da Constituição Federal).

O que NÃO fazer depois da apreensão

  • Não ignorar o processo. O banco vai levar o veículo a leilão se você não tomar providências. Depois do leilão, recuperar o bem é muito mais difícil.
  • Não acreditar em “jeitinhos”. Promessas de “tirar o carro do pátio sem pagar” geralmente são golpes.
  • Não deixar de contestar valores abusivos. Só porque o carro foi apreendido não significa que o banco está certo sobre o valor da dívida.

O que esperar dos próximos dias

O veículo ficará em um pátio conveniado com o Poder Judiciário. Você pode visitá-lo para retirar pertences pessoais que ficaram (agende com o pátio). O banco vai apresentar os cálculos do débito, e você terá oportunidade de contestar.

Se você purgar a mora (pagar tudo), o carro é liberado. Se não pagar, o veículo será avaliado e levado a leilão público. O valor apurado abate a dívida; se sobrar algo, você recebe. Se faltar, o banco pode cobrar o saldo remanescente.

A busca e apreensão é um momento difícil, mas não é o fim. Com as medidas certas, você pode recuperar o veículo ou negociar a dívida em condições justas. Se o oficial de justiça acaba de sair da sua casa, o momento de agir é agora. Entre em contato com a VR Advogados para uma análise urgente do seu caso.

Próximo passo seguro

Cada caso depende de documentos, prazo e fase da cobrança. Não confie sua situação em templates genéricos.

Perguntas frequentes

Este conteúdo substitui consulta jurídica?

Não. Ele organiza informação geral; cada caso depende de documentos, valores e fase da cobrança.

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